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TEXTOS EM PROSA

Textos pessoais em prosa, citações de livros, letras de músicas, vídeos especialmente de "dance- music", comentários a certo tipo de imprensa etc.

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Os Panfílovtses

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 A verdade e a invenção sobre os que, em 1941, detiveram os tanques inimigos às portas da capital

Altas horas da noite, em meados de Novembro de 1947, vieram os "tchequistas"1 buscar o herói-panfílovets 2, Ivan Dobrobábin, que, depois da guerra, trabalhava como director de uma fábrica de açúcar na cidade Kant em Kirguiz. Irromperam pelo apartamento, mostraram a ordem de prisão, assinada pelo procurador militar da RSS da Ucrânia.

-- Por que me prendem, irmãos? -- Apenas conseguiu Ivan Evstafievitch perguntar ao operacional seu conhecido, com o qual mais de uma vez esteve sentado numa mesa festiva.

 E imediatamente levou com um punho nos dentes.

-- Que irmão sou eu a ti, traidor?! 

Fecharam as algemas, arrastaram o herói para o voronók --  veículo para transporte de prisioneiros. Logo no dia seguinte foi transferido para Khar'kov, onde teve início a investigação do processo, do qual era figurante principal o próprio marechal da vitória, Georgy Zhukov.

 A proeza nas páginas dos jornais

Não houve durante a Grande Guerra Patriótica soldados mais famosos do que os panfilovtses. Sobre a façanha dos russos e dos kazakhs 3 que morreram nas trincheiras perto de Moscovo, mas que não deixaram entrar os tanques alemães na cidade, escreveram-se canções e foram compostos poemas, em honra dos soldados foram dados nomes a ruas e praças das cidades. Ao mesmo tempo não cessava um murmúrio sobre as sepulturas dos heróis: "Mentiras toda esta história, tema de propaganda ..."  

Em primeiro lugar sobre a façanha dos Panfílovtses --- soldados da 4ª Companhia do 2º Batalhão do Regimento 1075 da 8ª Divisão de atiradores da guarda --- escreveu, no dia 27 de Novembro de 1941, o correspondente do jornal "Estrela Vermelha", Vasily Koroteev. Durante o interrogatório, ele revelou: «Nos dias 23-24 de Novembro de 1941, eu, juntamente com o correspondente militar do jornal " Komsomolskaya Pravda " Chernyshev, fui à sede do 16º Exército. Ao sair do Estado Maior do Exército encontrámos o Comissário da 8ª divisão de Panfílov, Yegorov, que falou sobre a situação extremamente difícil na frente e disse que o nosso povo estava a lutar heroicamente em todos os sectores. Em especial, Egorov deu o exemplo da batalha heróica de uma companhia contra os tanques alemães:   À posição da companhia chegaram 54 tanques - a companhia deteve-os, alguns foram destruídos. No relatório não vinha indicado o número de combatentes da companhia que morreram nesta batalha, e nem se mencionavam os seus apelidos.

Quando cheguei a Moscovo, informei da situação o editor do jornal "Krasnaya Zvezda", Ortenberg, narrei a luta da companhia contra os tanques do inimigo. Ortenberg perguntou-me quantas pessoas é que havia na companhia. Respondi que, pelos vistos, o efectivo da companhia não estava completo - cerca de 30-40 homens; Também lhe disse que dois desses homens se haviam revelado traidores.  

Eu não sabia que estava a ser preparado um artigo de fundo sobre este assunto, mas Ortenberg chamou-me mais uma vez e perguntou-me quantos homens estavam na companhia. Respondi-lhe que cerca de 30 homens. E deste modo surgiu o número de combatentes - 28 homens ».

 Nesse tempo faltavam heróis - num país dominado pelo pânico, todos apenas esperavam que os alemães, em breve, tomassem Moscovo. Para inspirar os soldados era necessário um simples exemplo de heroísmo em massa.  

E na edição seguinte do "Estrela Vermelha" foi publicado o artigo de fundo "O Testamento dos 28 Panfílovtses", no qual o autor, secretário literário da redacção, Alexander Krivitsky, como que antecipando a ordem de Stalin "Nem um passo atrás", descreveu coloridamente a cena do represália sobre os traidores: os soldados, que propuseram render-se aos alemães terão sido fuzilados pelos seus próprios camaradas de armas. E até à morte mantiveram a defesa.  

A notícia sobre os heróis logo se espalhou por todos os jornais soviéticos.  

No dia 22 de janeiro de 1942 o "Estrela vermelha" publica um novo ensaio de Krivitsky "Sobre os 28 heróis tombados", em que pela primeira vez são indicados os apelidos dos soldados perecidos.  

A 21 de julho de 1942 esta lista, elaborada com a participação do instrutor político da 8ª Divisão, juntou-se ao texto do decreto do Presidium do Soviete Supremo da URSS sobre a concessão a todos os Panfílovtses de títulos de Heróis da União Soviética. 

Um mês mais tarde, no hospital, foi encontrado um dos Panfilovtses supostamente falecidos - Gregory Shemyakin. Depois dele, apareceu também um outro Panfilovets sobrevivente, Dobrobabin Ivan, que não era um herói tal como o descreveu o "Estrela Vermelha".  

Como foi?
Estão perfeitamente errados os que consideram a façanha dos heróis-panfílovtses uma mentira. Tudo existiu na realidade - não só a batalha, mas também os tanques alemães e os heróis mortos. Somente tudo foi um pouco diferente.  

Conforme estabelecido pela verificação do procurador militar da Frente de Kalinin, 4ª Companhia Regimento 1075º durante duas semanas ocupou posições de defensiva às portas de Nelidovo - Dubosekovo - Petelino. A 16 de novembro de 1941 unidades da Wehrmacht lançaram uma ofensiva.

E, como demonstrado pela investigação do comandante de regimento Ilya Caprov, os soldados soviéticos lutaram heroicamente: logo no primeiro dia de combates nas imediações de Dubosekovo morreu uma companheira inteira - mais de 100 combatentes. Feridos, contundidos, praticamente só com as mãos , o dia inteiro, eles repeliram os ataques dos tanques alemães. Os combatentes do exército vermelho tinham apenas algumas armas anti-tanque, granadas de mão e coquetéis Molotov. Contra os tanques, estes meios são ineficazes. 

O regimento foi forçado a retirar-se para posições de reserva, mas dois dias depois os alemães foram rechaçados. E a 20 de Novembro de 1941, os nossos soldados reocuparam as linhas abandonadas.

E, como testemunhou o coronel Kaprov, durante os combates foram realmente aniquiladas duas dezenas de tanques do inimigo - se bem que este número incluia todos os tanques que avançaram de Nelidova até Petelin. Assim como nas posições do 2º Batalhão, de que fazia parte a 4ª Companhia, foram destruídos não mais do que dez tanques. E isto, aliás, é uma cifra muito impressionante - especialmente se levarmos em conta que à disposição do batalhão não havia nenhuma artilharia. Apenas quatro armas anti-tanque , granadas e cocktails Molotov.

O HERÓI de Khalkhin-Gol

Ivan Dobrobábin nasceu na aldeia de Perekop, na província de Kharkov. Depois da escola, trabalhou na construção da Fábrica de Tratores de Kharkov e simultaneamente estudou para serralheiro. Depois, por recrutamento do Komsomol foi para a construção pan-unionista na Ásia Central - construir o Canal Chu.  

Em 1937, ele foi recrutado para o exército, combateu em Khalkhin-Gol. Pelo desbaratamento de um ataque dos japoneses o metralhador Dobrobabin recebeu a medalha "De Bravura".

Tendo regressando da guerra, tornou-se fotógrafo na pequena cidade quirguiz de Tokmak. E em 1941 foi novamente recrutado para o exército - para a divisão 316ª (mais tarde a 8ª da Guarda) do general Panfilov. 

Aos arredores de Moscovo os Panfilovtses vieram parar já em agosto de 1941: os soldados da 8ª Divisão, defenderam Volokolamsk, depois lentamente retiraram-se até mesmo ao desvio de Dubosekovo que fica a 142 quilômetros da capital.

André Kudryakov , chefe da unidade de pesquisadores de Rostov "frente - Mius-", que se reuniu com Ivan Dobrobabin, escreveu o relato deste sobre a batalha:

"Os alemães lançaram-se ao ataque ao amanhecer, mas nós, certamente, já não estávamos a dormir... Em tais momentos não estamos para dormir ...Olhei: pelo campo avançavam cerca de cem faxistas de camuflado branco e capacete. Vinham não em cadeia, mas sim em trios. Um avança, e dois observam, cobrem-no. Transmiti à linha :. "Fogo ao meu comando. Que se aproximem mais de perto. ". Assim que os nazistas ficaram a cem passos, abri fogo. Os alemães colaram-se ao solo, começaram a afastar-se das nossas posições rastejando. 

Não tinham os nossos soldados tido tempo de se regozijar pela primeira vitória, quando se ouviu o rugido de motores. Depois, num horizonte de névoa matinal, apareceram as silhuetas dos tanques. Um, depois outro, um terceiro. Cinco, dez. Bastaram aos alemães cinco minutos para chegarem mesmo junto ao parapeito da nossa trincheira. E eis que para o primeiro tanque, que irrompeu um pouco para diante, voaram granadas. Uma, duas - não alcançam. Os nossos atiradores anti-tanque atingiram um tanque. Um tiro certeiro destruiu-lhe a placa da lagarta. O tanque começou a contorcer-se. E neste momento atiraram-lhe várias granadas e garrafas. O tanque explodiu, da torre saiu fumo às bafuradas.