Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

TEXTOS EM PROSA

Textos pessoais em prosa, citações de livros, letras de músicas, vídeos especialmente de "dance- music", comentários a certo tipo de imprensa etc.

TEXTOS EM PROSA

Textos pessoais em prosa, citações de livros, letras de músicas, vídeos especialmente de "dance- music", comentários a certo tipo de imprensa etc.

Poesias completas de António Gedeão, (esboço de análise objectiva) por Jorge de Sena



(...) Esta sucinta situação cronológica ajuda-nos no entanto a compreender a posição que António Gedeão veio ocupar, e mesmo nos dilucidará algumas das razões que fizeram, equivocamente, o êxito juntíssimo que a sua poesia obteve. Com efeito, primeiro publicado em 1956, quando quando estavam grupalmente extintos todos os movimentos do 2º quartel do século, e a maior parte dos poetas prosseguia individualmente o seu caminho (ou desconsoladamente persistia nele), ele constituiu uma «novidade» sobre a qual todos se lançaram todos vorazmente. Ali estava um poeta novo e diferente, quando os outros, porque vinham existindo, se pareciam todos mais ou menos consigo próprios, e, nas raivosas oposições surdas, tinham destruído uns aos outros as possibilidades de académica consagração, em que as gerações anteriores , mais instaladas numa vida literária mais diletantesca , haviam sido mais prudentes. E, no esgotamento da virulência  estética do modernismo, em que, sem as vantagens da consagração, o academismo se instalara, era agradabilíssimo e consolador encontrar-se, para aclamar sem compromissos, um poeta que parecia reunir as vantagens de humor insólito do modernismo escolar, com as formulações rítmico-imagéticas tradicionais. Encantados, todos cevaram nele as suas apetências de reaccionarismo estético, reprimidas pela decência de ética modernista que exigia, sem quartel, o maçante esforço de todo o mundo ser diferente de todo o mundo (no que todo o mundo acabou singularmente igual a todo o mundo).(...)

Poesias completas de António Gedeão, (esboço de análise objectiva) por Jorge de Sena, pags . XII e XIII, Portugália.